O pintor não pinta a janela porque falta afinar o caixilho. O carpinteiro não pode afinar porque lhe falta o vidro. Já o vidro aguarda a pintura. O tecto falso não é colocado porque não há vidro. A banheira aguarda porque falta o tecto falso. Antes do tecto falso e da banheira não podemos colocar o chão. E andamos nisto...
À falta de melhor, e porque os Donos de Obra são exímios a aldrabar [ligeiramente! coisa pouca! nem se nota, Carla!] o projecto, os arquitectos socorrem-se da parede. E eu fujo a sete pés! Não aguento os gritos do lápis na parede!




Assenti que cabe a Ele escolher a mesa da cozinha. Diz que é importante fazer cedências. Isso ou querer ser eu a escolher as cadeiras. Bom, ambos os dois satisfeitos e isso é que importa. Ontem, finalmente!, fomos ao IKEA. Comprámos a mesa. Duas horas depois:
Ele: Não sei se aquela mesa ficará bem na cozinha...
Eu: Mas tu adoooooooooooooooras aquela mesa!
Ele: E gosto. Mas acho que só devemos comprar a mesa quando a cozinha estiver pronta...
Eu: Então para que quiseste trazer a mesa?
Ele: Eu não quis, tu é que quiseste...
Eu: Eu é que quis? Mas ficou decidido que tu é que a escolhias. Disse-te 'Ok, traz!' porque julguei que quisesses...
Ele: E eu porque julguei que tu quisesses...
[OI!??]
Ele: Até quando podemos devolver a mesa? :)
Eu: ...tipo um mês, ou isso...
[OI!??]
Ele: Que queres?! Mais uma vez no IKEA sem comprar nada,... achei que estavas a precisar comprar qualquer coisa!
Ele: ...eu só não quis ter problemas!
Eu: Vamos lá devolver amanhã. :) ♥♥♥
Pedimos a alguém que fosse à loja de materiais de construção habitual encomendar, entre outras coisas, 35m2 de pastilha para os quartos-de-banho. Alguém foi. Chegou à loja, botou os olhos no material que escolhemos para os nossos quartos-de-banho e a coisa não lhe agradou. Vai daí, alguém achou por bem não encomendar 35m2 de pastilha para os nossos quartos-de-banho. Não gostava, não encomendou. Hum. Repetiu a viagem no dia seguinte. O material chega na próxima semana. Contamos que seja pastilha mas pode ser granito pedras salgadas. A ver. O que seria da vida sem surpresas? Nada, pois claro! Como é hábito, são os familiares quem nos ajudam com estas encomendas. ;)
No Facebook ainda só somos setenta e quatro.
Segundo o sitemeter, por dia, sois 140. Cadê vocês? :)
....que trabalham nessa empresa cujo bar fica no corredor de acesso ao WC: os administradores deste blogue sabem e apreciam o vosso interesse e gosto por este espaço e por esta escrita maravilhosa. Nem outra coisa faria sentido. Assim, os administradores deste blogue questionam: porque raio é que ainda não partilharam o Nós. A Casa. E uma Árvore. no vosso perfil? Hum!? O que é bom é para ser partilhado. :)
Amigo: Olha lá, e iluminação?, já tens?
Ele: Não, ainda não. Mas tens contactos é?
Amigo: Conheço um tipo que arranja isso, tem muita variedade a preços muito bons e se for preciso nem passa factura...
Ele: [pausa prolongada] ...olha, se os produtos são roubados não me digas. A sério, não quero saber.
Os administradores deste blogue fazem saber que repudiam todo e qualquer esquema de fuga fiscal. Mais: reprovam este tipo de sugestões.
Há tempos contei que um de nós escolhe os fornecedores com o coração e o outro com a carteira. Eu com o coração, pois claro, e ele com a carteira. A verdade é que tenho sido mais certeira. Nas últimas semanas tem sido claro como água. Não tem que ver com a qualidade técnica do trabalho, ou pelo menos, assim espero! Também já só falta isso. Antes com a evidente falta de sensibilidade da pessoa, assim como a sua total incapacidade para nos indicar um caminho quando o pedimos. Afinal, não devia ser ele o especialista? Tenho ideia que não o faz para não se comprometer e evitar qualquer acusação futura mas... é isso ser profissional? Contudo, o que mais me aborrece é que, por vezes, chego a ficar confusa e a julgar que se inverteram os papéis, passando ele a cliente e nós a fornecedores, tal a sua dificuldade em fazer aquilo que lhe é pedido.
Ainda na semana passada reunimos com ele e um terceiro interveniente, no sentido de obter autorização deste para fazer algo de forma diferente da regulamentada. Como se trata de uma reconstrução, it's a grey area, pelo que existia uma hipótese de ser viável. O trabalho em questão envolvia a remoção de pedras, coisa que queríamos evitar pelo esforço que isso implica e, também, porque esteticamente nos estraga a coisa. Resultado da reunião: vamos fazer de acordo com o regulamentado, no entanto, o terceiro deu-nos uma sugestão que evita o transtorno da remoção. Algo que se esperava do nosso fornecedor mas isso era pedir de mais, suponho! O sucesso disto não se deve a ele já que durante a reunião fez, por várias vezes, comentários que poderiam deitar tudo a perder insistindo na hipótese de remover as pedras. Fizemos de conta e seguimos porque queremos é que ele termine o serviço o quanto antes. Qual não é o nosso espanto quando, este fim-de-semana, chegámos a casa e as pedras estão no chão. Seriously??! Hoje, mais uma borrada das grandes, uma total falta de cuidado e respeito pelo trabalho dos outros mas nem quero falar disso, tal é o desgosto! Infelizmente, a esta altura do campeonato, não podemos simplesmente despachar esta equipa, mas não vemos a hora de os ter de lá para fora e terminar com um: não foi um prazer, adeus!
Este blogue move-se a comentários.
Digam coisas.
Parar, i m e d i a t a m e n t e, de ver blogues de casamentos.
Acabo de receber um orçamento para aluguer de uma tenda que custa quase tanto quanto o tooooooooooooooodo o serviço de catering.
Tenho palpitações, pontadas e afins.
É um desafio, uma excitação e também a concretização de um sonho mas não é coisa fácil, principalmente para Ele que, por força da sua formação, acaba por estar mais sobrecarregado. É preciso fazer tudo de novo, numa casa com cerca de cinquenta anos e que não está bem preparada para mordenices e, vai daí, nem sempre as coisas podem ficar exactamente como nós queremos, já para não falar das paredes em pedra que são a verdadeira loucura de cada vez que é necessário passar um minúsculo cabo.
Botem os olhos nisto...

Mas sim, 'queixo-me' de barriga cheia! ;)
Há dias, enquanto testávamos as cores exteriores, publicámos esta foto no Facebook e perguntámos aos amigos "que dizem?". A maioria optou pelas cores mais claras. Eu preferia o azul clarinho - a terceira, da esquerda para a direita - e Ele o azul escuro da direita. Isto porque tanto nós como a arquitecta estávamos convencidos que branco não ia ficar bem. Tão enganadinhos! E ainda bem! O branco é a nossa cena. ;)

...se estão a planear uma cozinha excluam a opção de ter o frigorífico embutido. A não ser, claro!, que tenham recursos orçamentais e de espaço ilimitados! Caso contrário, as opções mais em conta são mais caras que as normais com a agravante de que as medidas são menores e, acreditem!, quatro centímentros fazem toda a diferença. Já para não falar de todos os problemas que surgem em caso de avaria ou de precisar de substituição, no caso da última, se o frigorífico é antigo, muitas vezes aquele modelo já não existe e depois não há nenhum que encaixe no armário da vossa cozinha! Verdadeiros filmes de terror, segundo contam os da área.
Fica a dica. ;)
Dois dias de agricultura.
Trinta quilos de semente.
Sessenta minutos de rega diária
...oito dias depois aí está ela!

No que diz respeito aos electrodomésticos, lá longe em Agosto decidimos que seriam Siemens. Porque cozinha nossa será Siemens! E assim seria não fossem as derrapagens orçamentais diárias. Faltava pouco para a encomenda e Ele espremia o orçamento o mais que podia quando nos ocorreu "Épá, Siemens, Bosch e Balay sai tudo da mesma fábrica... e se?". E assim foi. Percebemos que a diferença entre o primeiro e o segundo não seria significativa, vai daí, apostámos todas as fichas na Balay. Mais barata e mais bonita, até. A diferença é enorme e, no final das contas, temos equipamentos superiores que os primeiros pelo mesmo valor, porque assim podemos escolher o topo de gama da Balay. Conclusão: o orçamento continua a ser espremido porque acabámos por não poupar nada.
Apesar de termos pedido aos fabricantes preço para os electrodomésticos optámos por outro fornecedor: o Abílio Couto Arnelas. Porque preferimos dar a ganhar aos nossos e porque Santos da casa fazem milagres: os preços do Abílio são imbatíveis! Comprovem.
Uma coisa fizemos bem: assim que fechámos negócio começámos a mexer e nos seis meses de espera pela escritura muitas decisões foram tomadas e muitos processos iniciados. É certo que nem tudo o que decidimos avançou exactamente como o previsto nem todas as decisões se relevaram as mais acertadas mas este avanço foi crucial para nos ajudar a cumprir prazos. Assim, logo depois de escolhermos o nosso adorado mosaico hidráulico avançámos para a cozinha. A primeira decisão acabou por condicionar esta, no que diz respeito ao balcão, mas quanto à cor dos armários estava há muito decidida: branca!
O trabalho começou na internet, numa busca doida por fabricantes de cozinhas na zona do Porto, não contava mas foi difícil! Talvez porque privilegiámos, como em quase tudo, fabricantes portugueses. Enviei nove pedidos de orçamento, responderam três: a Gneisse, a Habilar e a Ipercozi. Chocante. Mais de um mês depois recebo um telefonema de um outro fabricante disposto a apresentar proposta. Ora bem, estivesse a decisão apenas nas minhas mãos e a coisa nunca se tinha dado, mas a Ele corre nas veias sangue de negociante e lá fomos nós, comigo pelos cabelos. E ainda bem. Juntou-se a esta corrida a J.Dias.
Nos pedidos de proposta enviados anexamos uma planta da cozinha, assim como a indicação daquilo que pretendíamos considerado: estilo, electrodomésticos, torneiras, bancada, transporte, montagem e o orçamento total para esta empreitada.
Assumo: o atendimento é muito importante, se não o mais importante. Nem tanto pelo forma como somos tratados mas ter do outro lado alguém que sabe aquilo que está a vender, que acredita no seu produto, que nos dá sugestões e que nos alerta para possíveis erros, é fundamental, não vos parece? Aqui a Gneisse e a J.Dias rebentaram com a escala e no final a decisão só pôde ser tomada pelo preço. Sendo que a Gneisse fica a ganhar em detalhes como o sistema de fixação anti-deslizante das prateleiras ou a garantia vitalícia.
Os restantes fabricantes perderam a corrida apenas porque não souberam vender. Num sábado de manhã, em que fomos os únicos clientes naquela hora, a vendedora que nos atendeu não foi capaz de nos mostrar o artigo que tinha para nos vender: não abriu uma gaveta, não mostrou uma dobradiça, não apontou aquele detalhe que os diferenciava de todos os outros. Não vendeu. Da mesma forma também não vendeu aquela que nos recebe de forma pouco cuidada e que argumenta em loop a mesma deixa "Nós fazemos várias coisas. É aquilo que o cliente quiser.".
Esta será a nossa cozinha Gneisse.
Quanto ao valor dos armários considerem, em termos médios, cerca de 400€ por metro linear de armário (não inclui tampo nem electrodomésticos).

Hoje almoçámos novamente com os amigos que nos desafiaram a registar a nossa aventura.
Qual o ponto de situação? Confirmei a pergunta antes de responder: muito bem, no prazo, apesar das surpresas, mas ao melhor estilo de uma obra pública quanto ao orçamento: derrapagem atrás de derrapagem!
Numa moradia nova, as infra-estruturas como tubagens de abastecimento de água, os canos do aquecimento central, os fios dos telefones e as dezenas, repito: dezenas!, de cabos eléctricos, andam maioritariamente no pavimento, ou seja, nos 10/15cm que ficam entre a estrutura e o revestimento final.
Neste caso, como decidimos manter o pavimento havia duas hipótese: prever tectos falsos ou fazer ranhuras nas paredes. A decisão foi imediata: ranhuras, claro! Os tectos estavam em aparente bom estado e por isso não fazia sentido assumir um custo para tectos falsos que seria sempre superior ao das ranhuras.
Muitos alertaram: o tecto falso facilita a iluminação, o tecto falso é perfeito para esconder o varão dos cortinados, com o tecto falso é muito mais rápido para as infra-estruturas, as ranhuras são difíceis de fazer em paredes, etc, etc... Ela ainda hesitou, mas para mim a decisão estava tomada: ranhuras, a solução mais barata!
Picheleiro e electricista começaram a fazer as marcações nas paredes para sinalizar o caminho por onde dezenas de tubagens teriam que passar. Dia após dia, as paredes ficavam cada vez mais riscadas, quais gravuras rupestres. E começaram as ranhuras. O trabalho durou mais de um mês, seis pessoas participaram, dezenas e dezenas de metros a cortar pedra das paredes, mais de uma centena de euros em discos para máquinas de corte, três máquinas avariadas, quilos de entulho, intermináveis e muito densas nuvens de pó.
Conclusões: no piso da sala não existiam paredes suficientes para as tubagens chegarem do quadro geral à cozinha, o custo das ranhuras disparou, nas zonas em que paredes foram demolidas os tectos não estavam ao mesmo nível e em algumas zonas estes não estavam em bom estado... Assim, já perto do final do trabalho das ranhuras decidimos, relutantemente, voltar atrás com a decisão e aplicar tectos falsos no piso da sala e nos wc´s dos quartos. Restam, por agora, os quartos e o hall de acesso a estes.
Outras notas a reter:
- Em paredes que precisem de roços, no mínimo, utilizar tijolos de 11cm de espessura;
- Em zonas como garagens e arrumos utilizar calhas aparentes no tecto;
- Incluir no contrato com o picheleiro e electricista os trabalhos de construção civil que estão associadas a estas empreitadas.



Inicialmente este blogue tinha como função actualizar os amigos, depois, enquanto criávamos a coisa achámos que podia ser uma boa ajuda para todos aqueles que estão ou vão passar pela mesma aventura e ficámos entusiasmados com esta ideia. Entretanto, a falta de tempo não nos tem permitido actualizar o blogue como queremos e devemos mas prometemos que deste fim-de-semana não passa! E há tanto para contar.
Também estamos no Facebook.
Lá é mais animado. Ainda que, mesmo assim, menos do que devia. :)





Têm sido um filme. Ainda não sabemos se de terror ou de comédia. Bem procuramos mas não encontramos vigas em lado nenhum. A casa é de 1960, lembro. Portantos, um dia estamos muito sossegados a ver o 'Diners, drive ins, and dives' e cai-nos o tecto em cima. Não sou especialista mas ele diz que tudo vai correr bem. Aceno em concordância. Afinal, ele é que o Engenheiro. É confiar. Diz que o amor é cego.
Sábado vai ser um dia de remoção de todo o entulho que resultou das demolições.
Tão bom! Vou sair desta obra super tonificada!















Hoje a caminho do almoço recebo um telefonema de um dos concorrentes:
EMP: Já analisou a minha proposta?
Eu: Já. Gostei da qualidade da proposta mas está um pouco acima de um outro concorrente que também tem hipótese.
EMP: Muito?
Eu:– Um pouco…, se quiser fizer um esforço e ficar ela por ela…
EMP: CARO AMIGO!, isso não é assunto para falarmos ao telefone! Tá perceber?!
Eu: Huumm…
EMP: Isto hoje em dia é preciso ter cuidado! Tá perceber?!?
Eu: Huum…, talvez...
EMP: É melhor falarmos frente a frente. Tá a perceber?!
Eu:Por mim pode ser…
Ele: Assim é melhor, pois estes assuntos têm que ser tratados assim. Em todo o caso sobre o assunto em questão julgo que será possível avaliar a situação e provavelmente chegaremos a um entendimento…
Assim que terminou a chamada que estava em alta voz:
Ela: Ele tem o telefone sob escuta!?!
Eu: Surreal!
Ela (às gargalhadas): Para a próxima tens que agendar uma reunião.
Eu: Não estava a pedir-lhe para despachar alguém…
Em quatro dias foram dezassete visitas: taqueiros, carpinteiros, picheleiros, fornecedores de estores, trolhas, pintores, aplicadores de isolamento térmico pelo exterior, jardineiros, serralheiros… Ainda faltam os electricistas, vidraceiros e outros que me estou seguramente a esquecer.
Todos me pareceram competentes, interessados, capazes de executar todo o trabalho até ao mais ínfimo pormenor sem demorar mais tempo nem exigir custos adicionais! Quase todos têm cartões, mail, site e alguns até estão no facebook.
Agora é só esperar pelas propostas e passar às adjudicações!




Já gostam de nós no Facebook? Óptimo.
Já que gostam, partilhem com os vossos contactos.
Paredes interiores? Brancas, decidímos nós, na praia dos Pescadores, em Julho passado. Porque "Casa minha é branca!". Assenti. Até que chegou o catálogo da CIN. E parece que agora, branco mais branco, não é branco, é todas as cores do arco-íris. Desde que pálidas, cabem todas no branco. Como o branco nuvem, que é azul, ou o branco camélia que é rosa. Até gosto muito das duas, como gosto do branco sea, uma coisa a fugir para o verde acinzentado, ou do branco chá branco que é uma espécie de café com leite. Que gosto mesmo. E estou a um branco vanilla de ceder, só não me digam que rosa é branco ou eu enfureço. Fora isso, que bem me sabiam umas paredes assim, devidamente acompanhadas de perfeitas carpintarias brancas. Aprovam?
Estamos trancados fora de casa. As chaves morreram. Quem nos sabotou a fechadura?
O pavimento das áreas comuns e quartos foi desde logo um dos aspectos que mais mereceu a nossa atenção.
Queríamos uma solução contínua e uniforme, em madeira de tom claro, preferencialmente maciça, em réguas largas e compridas.
Muito rapidamente começámos a estudar o mercado e a visitar vendedores. Carvalho e Riga foram as primeiras opções. Depois passamos para os flutuantes e encontramos soluções muito boas que em tudo correspondiam ao que pretendíamos. Difícil era a escolha da solução face ao leque tão alargado de hipóteses. Os preços eram um pouco acima do primeiro orçamento, ainda assim, aceitáveis.
Já com as hipóteses reduzidas a três opções e prestes a tomar uma decisão, por motivos profissionais, participava numa reunião onde uma arquitecta descrevia a intervenção num apartamento dos anos 70. Enquanto ouvia as opções de projecto, que resultaram muito bem, passava os olhos pelas várias fotografias que ilustravam o antes e o depois. Ao passar os olhos por uma fotografia em que era visível boa parte do pavimento da sala e corredor, exclamei em voz alta: aproveitou o pavimento em tacos? "Sim, claro!", respondeu-me a arquitecta justificando de seguida a opção. Confesso que já não ouvi as razões pois apenas conseguia pensar envergonhado porque razão não tínhamos pensado nessa solução tão óbvia.
Para além de uma significativa redução de custo, manter os tacos, revelar-se-á uma excelente solução em termos de durabilidade, qualidade e estética.


Imagens actuais da sala e quartos, respectivamente.
Assim, a solução vai passar por:
- Execução, por faixas de 0,60m, de modo a assegurar que os tacos voltam a ser colocados no mesmo local – aspecto muito importante;
- Retirada da cola inicial e nova colagem;
- Raspagem integral do pavimento após a colagem de toda a divisão;
- Betumação e envernizamento até à segunda demão de verniz;
- Conclusão dos trabalhos das outras artes e pinturas finais das paredes e tectos;
- Despolimento e aplicação da ultima demão de verniz;
E representará:
- Custo médio da intervenção = 20€/m2;
- Custo médio para o fornecimento de novos tacos caso necessário = 20€/m2;

Quero muito fazer qualquer coisa assim no piso 0. Mas Ele diz que não vai nessa. Garagens, arrecadações e lavandarias são sítios tão sem sal que umas risquinhas davam uma gracinha especial e assim até se fazem máquinas de roupa com gosto. Que dizem?
Orçamentos, orçamentos, orçamentos, orçamentos, orçamentos... mais orçamentos! E ainda mais alguns orçamentos.
Uma. Aquecimento central. End of story.
Ela.
Fechamos negócio mesmo antes de abalar de férias pelo que esses quinze dias ao sol foram passados a fazer planos. Na volta para Gaia, já tudo estava decidido e escolhido. Ou assim julgámos. O nosso encantamento com o mosaico hidráulico revelou-se o primeiro obstáculo e obrigou a mais um ajuste no orçamento. Para cima. A ideia inicial era simples: cozinha de linhas direitas, cor branca, tampo em pedra natural. Nada mais difícil de conciliar. Destes três, há dois que não ligam. Adivinham? Pedra natural branca é coisa que não existe. E assim começou a aventura que nos mestrou em tampos de cozinha.
Porquê pedra natural? Fácil de responder: já existe em diversas cores, é resistente a temperaturas altas, manchas, facadas ou riscos, muito fácil de limpar, requer pouca manutenção e o custo é acessível. Aparentemente seria perfeito mas o pavimento escolhido grita por uma cozinha imaculadamente branca e isso não é possível com pedra natural. Há sempre a possbilidade da mármore mas, além de ser menos resistente, não combina com o design que escolhemos e, quanto a mim, lembra-me sempre quarto de banho.
Soluções como madeira, inox, azulejo ou concreto também foram excluídas [mas adoro tampos de cozinha em madeira!], para evitar um sem fim de materiais diferentes em apenas dezasseis metros quadrados e porque o conceito 'imaculamente branca' se mantém.
A opção foi ficando cada vez mais evidente: pedras sintéticas. Um mundo de vantagens a preços, aparentemente, proibitivos.
Pequenos fragmentos de pedra natural são agrupados com um plástico polímero que depois é moldado em placas para ser aplicado. Falo-vos, por exemplo, da marca Silestone. Estas pedras apresentam uma aparência e cor mais uniforme que a natural, considero-as também mais elegantes [se é que um balcão de cozinha pode ser elegante...], luxuosas e, claro!, lindinhas. Contudo, é um material muito sensível ao calor, por isso, nada de panelas quentes directamente sobre elas e tem outro menos: danificando uma parte do balcão, é necessária a remoção total da placa e respectiva substituição.
Ou então: bancadas sintéticas fabricadas à base de plástico que resultam em tampos feitos à medida desejada e sem fendas! Disponíveis em quase todas as cores do arco-íris, por isso, se quer uma bancada verde às bolinhas encontrou a solução. Este material permite ainda que a pia seja moldada e integrada no tampo e, se um acidente ocorrer e danificar parte do balcão, é possível remover apenas essa parte e substituir por outro que, depois de tratado, fica como novo sem notar qualquer diferença. À semelhança das anteriores, também estas pedras são sensíveis a altas temperaturas e facadas. Cremos que se resolve facilmente com uma base para tachos mesmo ao lado do fogão. Pode encontrar este material em marcas como a Corian.
Ambas as marcar nos foram apresentadas a preços altamente proibitivos. Para terem uma ideia,só o balcão representava o mesmo custo que todos os móvei da cozinha, ou seja, comprávamos uma cozinha pelo preço de duas.
Não desistimos e encontrámos a solução perfeita, bem mais perto de casa e a um preço imbatível. Escolhemos Staron, um produto igual ao Corian que é comercializado pela empresa Cociga, empresa sediada em Vila Nova de Gaia. Garante quem percebe que é até superior. Afinal, santos ao pé da porta ainda fazem milagres e nós prefrimos dar a ganhar aos nossos.
Uma última nota: amigos também escolheram Staron e garantem que até panelas de pressão em brasa aguenta. Nós não vamos arriscar mas fica a indicação para registo da qualidade do produto. Facas é que não, pessoas!
Ele descende de uma longa linhagem de negociantes. Eu sou só consumista, caraças! Estas tarefas estão muito mal divididas. Eu devia ser aquela que refila com os executantes quando o trabalho está mal feito, nunca a que vai regatear orçamentos. Nem na Feira consigo baixar o preço das sardinhas, quanto mais cozinhas e cenas. Humpf!
Também estamos no Facebook.
Sismo na Sicília mata 230 pessoas, Martin Luther King é assasinado, invasão da Checoslováquia, Robert Kennedy é assasinado, revolução cultural na China, Jacqueline Kennedy casa-se com Aristóteles Onassis, Richard Nixon torna-se presidente dos Estados Unidos.
Mas nem tudo foi mau: o benfica sagra-se campeão nacional de futebol, estreia o filme 2001: A Space Odyssey, Mrs. Robinson (Simon & Garfunkel) e Hey Jude (Beatles) são lançados, jogos olímpicos no México, mas acima de tudo foi o ano em que a licença de utilização foi atribuída à nossa futura casa.
Passados 43 anos encontramos a casa precisamente com o mesmo layout e ainda assim, ou talvez por isso, suficiente para nos apaixonarmos à primeira vista.

Piso 0

Piso 1

Piso 2
Estamos nos destaques do Sapo.
A partir desta semana começa o trabalho a sério e prometemos muitos posts.
Até já! ;)
Uma das memórias mais presente da casa dos meus avós é o pavimento da cozinha. Era preto e branco, esquisito, diferente de tudo o resto na casa mas ainda assim muito bonito aos meus olhos de criança. Os anos passaram, a vida segue o seu curso, a casa foi totalmente remodelada e nas demolições nem me despedi ou sequer fiquei com uma amostra para recordação.
Muitos anos mais tarde, ao passar no edifício verde da marginal de Gaia, apesar da velocidade, despertou-me a atenção um padrão esquisito, estranhamente familiar, mas desta vez verde e branco. Ainda antes da ponte, já a memoria me tinha socorrido.
Quando começámos a pensar na cozinha, a emoção sobrepôs-se à razão e a lógica foi invertida: escolhemos primeiro o pavimento e tudo o resto foi feito em função deste: cor do mobiliário, disposição dos móveis, iluminação, etc. Aliás, foi a primeira compra efectuada, ainda antes da escritura e muito acima do orçamento definido. Metodologia e todas as regras quebradas logo na primeira decisão! “A excepção que confirmará a regra!”, pensei, para me justificar.
Mistura-se pó de pedra, cimento, areia, tinta em pó e água e depois seca-se ao ar livre. Uma receita simples para um nome também simples: mosaico hidráulico, um produto muito corrente há cinco décadas atrás.

Não é preto, pode não ser um amor à primeira vista, mas aguardem pelo resultado.
Da Azulima, na Maia.
Não andávamos oficialmente à procura mas volta e meia espreitávamos o que tinha o mercado para nós. E para nós o mercado era só um: a terra. Revelou-se um problema: a oferta é pouca, os preços são uma loucura e nós também somos esquisitinhos. Mas o que é certo é que esta foi a segunda casa que desobrimos, a primeira que visitámos e a única porque nos apaixonámos. Não resultou. Partimos para outra. Durante seis meses trabalhámos noutro projecto. Estudos atrás de estudos e propostas atrás de propostas. Depois uma má notícia e tudo se cancelou. Ora é aqui que entra o destino. No mesmo dia da má notícia, estava a avó a tratar das estrelícias no jardim, quando a cumprimentam. Nunca ela tinha visto tal sujeito. Conversa puxa conversa e logo perceberam que se tratava da avó da compradora e do vendedor da primeira casa. Isto era o destino a falar connosco. Imediatamente tudo se retomou. E concretizou. Portanto, como ele diz sempre: se acreditares, acontece.
Chave na mão. E já cá está. ;)
Os amigos perguntavam por novidades. Falámos da escritura prestes a assinar. E para quando a obra pronta? Daqui a seis meses, respondemos confiantes. A gargalhada foi geral e o desafio foi lançado naquela mesa. Será que vamos conseguir? Na volta decidimos seguir a sugestão e criámos o 'Nós. A Casa. E uma árvore.'. 2012 vai ser um ano intenso. Sigam a aventura. Tem tudo para correr bem.